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Cannabis Medicinal e dor crônica: por que essa é uma das principais indicações no Brasil?

Levantamento recente coloca condições como fibromialgia, lombalgia, enxaqueca, artrite, artrose e dor oncológica entre os principais motivos para o uso de Cannabis Medicinal. Especialista em dor comenta o que esse cenário representa na prática clínica.

Cannabis Medicinal e dor crônica

A dor crônica aparece entre os principais motivos que levam pacientes brasileiros a buscar tratamentos com Cannabis Medicinal, segundo levantamento divulgado recentemente pelo portal Cannabis & Saúde. Entre as condições relacionadas estão fibromialgia, lombalgia, enxaqueca, artrite, artrose e dor oncológica, diferentes tipos de dor que podem afetar não apenas o bem-estar físico, mas também sono, humor, disposição e qualidade de vida.

Para entender o que esses números representam na prática, o TCC – Tratamento com Cannabis conversou com a Dra. Juliana Badaró, médica com atuação em dor (CRM-BA 6032 | RQE 11518 | RQE 12976).

Cannabis Medicinal já faz parte da prática clínica em dor?

Na experiência da Dra. Juliana, a Cannabis Medicinal já é considerada dentro do tratamento de alguns pacientes com fibromialgia.

O que isso não muda: “A Cannabis Medicinal já faz parte do meu protocolo para alguns pacientes com fibromialgia. E um dos pontos que observo com muita atenção é o sono, porque melhorar a qualidade do sono pode ter um impacto importante na qualidade de vida do paciente com dor crônica”, afirma a médica.

Pessoas que convivem com dor crônica frequentemente apresentam alterações no sono, e noites mal dormidas podem contribuir para pior percepção da dor, fadiga e redução da qualidade de vida. Por isso, o tratamento não deve considerar apenas a intensidade da dor isoladamente, mas o conjunto de sintomas que interfere na rotina do paciente.

Por que pacientes com dor crônica procuram novas alternativas?

Para a especialista, existe também uma mudança no comportamento dos próprios pacientes, que chegam ao consultório mais informados e interessados em compreender as possibilidades terapêuticas disponíveis.

O que isso não muda: “A dor crônica afeta muito mais do que a intensidade da dor. Ela interfere no sono, no humor, na disposição e na rotina. Muitos pacientes chegam buscando melhorar a qualidade de vida e, cada vez mais, percebo que eles também chegam querendo entender a Cannabis Medicinal: como funciona, quais são as possibilidades e se essa terapia pode fazer sentido para o caso deles”, diz a Dra. Juliana.

Esse interesse não significa, no entanto, que a Cannabis Medicinal seja indicada para todas as pessoas que apresentam dor. A avaliação precisa considerar diagnóstico, histórico clínico, tratamentos anteriores, medicamentos utilizados, sintomas associados e objetivos terapêuticos de cada paciente.

CBD, THC e CBG: qual o papel dos diferentes canabinoides?

Quando se fala em Cannabis Medicinal, é importante lembrar que não se trata de uma única substância. Entre os canabinoides mais conhecidos estão o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol); outros compostos, como o CBG (canabigerol), também vêm despertando interesse científico.

O que isso não muda: “Existe interesse principalmente no manejo de condições de dor crônica, especialmente quando existem outros sintomas associados, como alterações do sono. Na prática clínica, trabalhamos com diferentes canabinoides, como CBD e THC, e também acompanhamos o crescente interesse pelo CBG. A escolha não é feita apenas pelo diagnóstico: depende do perfil do paciente, dos sintomas e dos objetivos do tratamento”, explica a médica.

As evidências científicas sobre canabinoides e dor continuam evoluindo e não são iguais para todas as condições, formulações ou tipos de dor. Por isso, é importante diferenciar resultados de estudos científicos, experiência clínica e indicação individual para cada paciente.

Existe uma dose de Cannabis Medicinal para dor crônica?

O que isso não muda: “Não existe uma dose padrão para todo paciente. A dose é individualizada e o ajuste faz parte do tratamento. Por isso, a consulta de retorno é fundamental: é nela que avaliamos a resposta, possíveis efeitos adversos e fazemos os ajustes necessários para buscar o melhor resultado para aquele paciente”, afirma a Dra. Juliana.

O acompanhamento permite avaliar não apenas se houve melhora da dor, mas também outros aspectos importantes, como sono, funcionalidade, qualidade de vida, tolerabilidade e possíveis efeitos adversos.

Cannabis Medicinal serve para toda dor crônica?

O que isso não muda: Não. Dor crônica é um termo amplo que pode envolver diferentes mecanismos, doenças e condições clínicas. Pacientes com o mesmo diagnóstico podem apresentar sintomas, histórico e respostas terapêuticas completamente diferentes. Por isso, a decisão sobre utilizar ou não canabinoides deve fazer parte de uma avaliação médica individualizada, seguida de acompanhamento e ajustes quando necessários.

O crescimento da procura pela Cannabis Medicinal para condições relacionadas à dor mostra que esse é um tema cada vez mais presente nos consultórios. Mas também reforça a necessidade de algo essencial: informação baseada em evidências, avaliação individualizada e acompanhamento profissional.

Perguntas frequentes

Cannabis Medicinal cura a dor crônica?

Não. O tratamento pode ajudar no manejo de sintomas e na qualidade de vida, mas a resposta varia de paciente para paciente e não substitui avaliação médica individualizada.

Existe uma dose padrão para dor crônica?

Não. A dose é individualizada e ajustada ao longo do tratamento, principalmente nas consultas de retorno.

Qualquer pessoa com dor crônica pode usar Cannabis Medicinal?

Não necessariamente. A indicação depende de avaliação médica que considera diagnóstico, histórico clínico, tratamentos anteriores e objetivos terapêuticos de cada paciente.

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Fonte: Levantamento Cannabis & Saúde (agosto de 2026). Análise médica: Dra. Juliana Badaró, médica com atuação em dor (CRM-BA 6032 | RQE 11518 | RQE 12976).

Conteúdo de caráter educativo e informativo. Não substitui orientação médica ou jurídica individualizada.